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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A arte contemporânea e capitalizada

Estamos surfando a onda do modismo com a prancha do capitalismo. Em um determinado momento algo é rotulado como de bom gosto, em outro nem tanto. De repente, ouvimos que o retrô está em alta, rapidamente entra em declínio. A moda é o abstrato, logo em seguida dá lugar à natureza morta. A bola da vez é fazer arte com materiais reciclados e amanhã o que será que vai surgir? Vivemos em uma insana tentativa de reinventar a roda, de reinventar o mundo.
No planeta contemporâneo, o mercantilismo e a vaidade corromperam a arte, tornando-a um mero instrumento para insuflar o ego de uma minoria que se intitula intelectualizada o bastante para compreendê-la e até mesmo ditar o seu rumo.
Em minha simplória opinião, a expressão artística que considero como gênese da arte, e que traduz a alma e o sentimento humano, é a pintura rupestre, na qual não havia preocupações com tendências, com escola artística ou com críticos de arte. A comunicação era uma necessidade latente, a arte era algo pulsante, erupções de criatividade surgiam a todo o momento e de forma democrática: qualquer um, com carvão ou pigmento faziam arte. Com uma idéia na cabeça e uma inquietação no coração era um artista em potencial e sua obra estava acessível a todos. A arte era uma necessidade visceral de registrar o mágico, o incompreensível e por que não dizer o prosaico mundo ao seu redor.
Vejo a arte muitas vezes se confundir com o carnaval baiano, algo que em sua essência foi feito pelo povo e para o povo e hoje este povo é cada vez mais excluído. Num determinado momento surgiram carros de apoio, abadás, cordas e cordeiros que fazem com que os espaços sejam divididos e o público segregado. “Levantaram muros em volta das cavernas e molduraram suas obras” e o povo ficou do outro lado deste muro, um verdadeiro apartheid cultural.
 
A arte era livre quando estampava as paredes das cavernas, hoje está aprisionada nas galerias, museus e Vernissage acessíveis a uns poucos. Hoje ocorre um mercantilismo da arte, portanto sugiro um Habeas Corpus para a arte, vamos libertá-la e devolvê-la para a caverna.

Pablo Jean (Bogus)

3 comentários:

  1. veeeeelhoooooooo, este é sem dúvida o melhor texto do blog!! Pablo está cada vez mais inteligente, tive que buscar várias palavras no dicionário e reler alguns trechos, mas no final entendi que você disse tudo o que eu já quis dizer e não encontrava palavras!

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  2. Texto de altíssima complexidade, claro que para mim. Mas ainda assim percebi que vc tem a mesmo opinião que Maurício em um texto postado por ele anteriormente, vêem pouca relação entre arte e Direito, mas continuo a não concordar!

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